crianca melancia
Vegetarianismo na infância.
 
O vegetarianismo na infância gera muitas dúvidas nos pais e profissionais que atendem e acompanham a criança. Porém para ressaltar a segurança da alimentação vegetariana na infância tanto a Academy of Nutrition and Dietetics (2016) e a American Dietetic Association; Dietitians of Canada (2013), reconhecem que a alimentação vegetariana é adequada em todas as fases da vida incluindo a infância, contanto que todos os cuidados alimentares e adequações nutricionais sejam realizados, como deve ser preconizado para qualquer tipo de dieta.
 
São esses pareceres que são questionados no artigo de revisão: Is Vegetarianism Healthy for Children? Publicado no Critical Reviews in Food Science and Nutrition em fevereiro de 2018 e citado pelo Dr. Erik Neves em seu post no Instagram.
 
 
 
 
 
O estudo cita o risco e as consequências da anemia, carência de B12, taurina, creatina e ácidos graxos essenciais para o desenvolvimento infantil em crianças vegetarianas. Porém a analise realizada no artigo de revisão é meramente especulativa já que em grande parte dos estudos apresentados não há forte correlação com crianças vegetarianas. Muitos estudos utilizam população adulta e analise sobre os riscos para a criança vegetariana baseada com meros preconceitos e informações infundadas ou apoiada por artigos de baixa qualidade cientifica.
 
Por exemplo, o artigo menciona autores que analisam a deficiência de B12 para a saúde e desenvolvimento mental de crianças, mas o que a revisão não menciona, é que esses estudos não citam vegetarianos e sim as consequências da deficiência. O estudo conclui que crianças veganas não terão acesso a B12 e estarão expostas as consequências dessa deficiência, mas não apresenta os estudos relacionando essas informações.
 
A criança vegetariana ou vegana vai receber B12 através do leite materno ou fórmula infantil, e a suplementação após os 6 meses de vida. Inclusive muitos suplementos destinados a uso pediatrico já incluem a vitamina B12 em sua formulação, visto que a deficiência tem sido recorrente na população em geral.
 
Outro exemplo é em relação à taurina. Cita-se as consequências da deficiência, que já são amplamente conhecidas, mas não apresenta artigos para a população vegetariana infantil.
 
Durante os primeiros 12 meses de vida a taurina é um aminoácido considerado essencial à criança, pois a criança não é capaz de produzi-lo. Ela está presente no leite materno e na fórmula infantil. Crianças vegetarianas, veganas ou até mesmo onívoras que seguem a recomendação do aleitamento materno ou fórmula para lactentes até no mínimo 12 meses de idade, não apresentaram deficiência ou as consequências da falta desse aminoácido.
 
Todos os temas abordados seguem a mesma linha de analise enviesada e meramente especulativa, não apresentando em nenhum momento estudos sólidos com boa metodologia. Tanto é que o artigo conclui que: “Essas evidências para os perigos do vegetarianismo não são necessariamente decisivas”.
 
Enfatiza: “A evidência revisada aqui, sugere que ainda existem muitas incógnitas sobre os efeitos sobre a saúde das dietas sem carne em crianças” e alerta: “Os pais devem ser informados sobre os debates sobre os efeitos sobre a saúde do vegetarianismo em crianças que não estão totalmente estabelecidos.”.
 
Portanto que o Dr. Erik Neves menciona em seu instagram é pessoal e nem mesmo representa a conclusão do autor do artigo que ele apresenta. Levando a população a achar que o que se diz é a conclusão do artigo.
 
A SVB (Sociedade Vegetariana Brasileira) continuará utilizando em suas analises instituições sérias como a ACADEMY OF NUTRITION AND DIETETICS e a American Dietetic Association; Dietitians of Canada que utilizaram em sua conclusão sólida literatura cientifica. Continuaremos a atuar de forma séria e apoiada a profissionais que usam a ciência de forma responsável e ética.
 
Essas instituições afirmam categoricamente que há benefícios na alimentação vegetariana na infância como menores chances de obesidade e sobrepeso, redução significativa de doenças crônicas não transmissíveis, maior consumo de vegetais, frutas e hortaliças, menor ingestão de doces e menor ingestão de gordura total e saturada e bebês vegetarianos recebem quantidades adequadas de leite materno ou fórmula infantil e suas dietas contêm boas fontes de energia e nutrientes como ferro, vitamina B-12 e Vitamina D, o crescimento ao longo da infância é normal.
 
O preconceito e os mitos que envolvem o vegetarianismo na infância precisam ser desmistificados com seriedade e solidez cientifica e não reforçados com analises enviesadas e sem evidência cientifica consistente.
 
 
Aline Vieira Nutricionista
Pós Graduação em Nutrição Materno infantil
Assessora técnica em Nutrição Materno Infantil da Sociedade Vegetariana Brasileira
 
Revisado por: Alessandra Luglio
Nutricionista Diretora do Departamento de Nutrição da Sociedade vegetariana Brasileira

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