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As queimadas na região amazônica ganharam espaço no noticiário nas últimas semanas, despertando preocupação e manifestações dentro e fora do Brasil. O que poucos sabem é que pequenas atitudes pessoais podem ter um grande impacto positivo na preservação de nossas florestas. 

Estudos científicos revelam que a produção de animais para consumo é um dos principais motores para o desmatamento no planeta, e no Brasil a situação não é diferente. A produção de carnes (incluindo porcos, frango e peixes cultivados), ovos e laticínios utiliza 83% das terras cultiváveis do planeta para pastagens e produção de ração, sendo responsável pela maioria das emissões de gases de efeito estufa provenientes da produção de alimentos. Por outro lado, fornece apenas 18% das calorias consumidas globalmente*. 

 

No Brasil, dados da Agência Espacial dos Estados Unidos (Nasa) e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) mostram que cerca de 20% do território são utilizados para pastagens – o equivalente a uma área com a Alemanha, França, Espanha, Portugal e Itália juntas. Além disso, a Embrapa calcula que cerca de 65 milhões de hectares são destinados a áreas para plantio de diversas culturas. O seu principal destino, no entanto, é servir como ração para animais como galinhas, porcos e até peixes criados no Brasil e exterior. 

Diante de tamanho impacto, separamos três dicas que você pode aplicar em sua rotina, mesmo morando em grandes cidades, e que ajudam a evitar o desmatamento na Amazônia e em biomas de alta diversidade como o Cerrado:


  1. REDUZIR O CONSUMO DE CARNES

A alta demanda, no Brasil e no exterior, por carnes como a de frango e porco tem sido o motor da expansão da produção de soja no Brasil, usada principalmente como ração para estes animais. Os cultivos de soja ocupam mais de 30 milhões de hectares no Brasil, dos quais 70% estão em áreas originalmente de alta biodiversidade no cerrado e na Amazônia. Além disso, a maior parte da área desmatada na Amazônia é usada como pastagem. Estima-se que a partir do momento em que a proporção de desmatamento na Amazônia atingir entre 20% e 25%, a conversão total de regiões importantes da Amazônia em savana poderá ser irreversível, com prejuízos ambientais, sociais, e financeiros sem precedentes*. Um relatório especial do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) elaborado por mais de 100 pesquisadores de diversos países (incluindo o Brasil) e lançado recentemente em Genebra, reforçou que além de gerar benefícios significativos para a saúde humana, a redução no consumo de carnes “poderia liberar milhões de quilômetros quadrados de terra”.


  1. COMBATER AS ‘FAKE NEWS

O combate a divulgação de informações incorretas pode ser efetivo por meio da participação ativa em fóruns e redes de discussão. Por exemplo: ao contrário do que se pensa, a maior parte dos grãos produzidos no Brasil não é usada para consumo humano. De toda a proteína vegetal produzida no Brasil, estima-se que somente 16% seja destinado para alimentação humana, com cerca de 80% sendo usados como ração para animais como porcos e galinhas criados de forma intensiva (confinada)*. 


  1. PROMOVER A REDUÇÃO NO CONSUMO DE CARNES

O desmatamento e a perda de espécies são consequências naturais da necessidade de grandes extensões de terra para a produção de carnes e de cultivos para alimentar animais confinados. Nas atuais taxas de desmatamento, estima-se que 19 entre 20 espécies de florestas tropicais do mundo todo, ainda desconhecidas da ciência, estarão totalmente extintas até 2050*.O garfo é a principal arma contra o desmatamento: a produção de uma refeição composta por carnes, leite e ovos requer uma área três vezes maior em comparação àquela usada para produzir refeições sem produtos de origem animal*. A participação em campanhas como a Segunda sem Carne (www.svb.org.br/pages/segundasemcarne) e o incentivo à inclusão de opções alimentares veganas em restaurantes, cantinas e lanchonetes (https://opcaovegana.svb.org.br/) pode ter um grande impacto. 


*Fontes:

Poore, J. & Nemecek, T. Science 360, 987–992 (2018)

Lovejoy & Nobre. Sci Adv 4 (2), eaat2340

Climate Change and Land — IPCC. https://www.ipcc.ch/report/srccl/

Cassidy et al 2013. Environmental Research Letters 8; 034015

Fuchs et al. Nature 567, 451-454 (2019)


SOBRE A SOCIEDADE VEGETARIANA BRASILEIRA

Fundada em 2003, a Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) é uma organização sem fins lucrativos que promove a alimentação vegetariana como uma escolha ética, saudável, sustentável e socialmente justa. Por meio de campanhas, programas, convênios, eventos, pesquisa e ativismo, a SVB realiza conscientização sobre os benefícios do vegetarianismo e trabalha para aumentar o acesso da população a produtos e serviços vegetarianos. Para mais informações, acesse www.svb.org.br ou os nossos perfis no Instagram, Facebook e Youtube.

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