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dairyfree fotoO surgimento de estudos com credibilidade e cada vez mais categóricos nos alertas sobre os riscos associados ao consumo de produtos de origem animal consolida um caminho cada vez mais promissor aos produtos veganos.

 

Após estudos comprovarem a correlação entre o consumo de carnes vermelhas e embutidos a alguns tipos de câncer, a bola da vez agora está no mercado de lácteos. O cenário praticamente escancara uma oportunidade de negócios para os produtos veganos, que ainda estão em fase de expansão no Brasil.

Uma pesquisa mais antiga daMordor Intelligence já calculava que 85% dos brasileiros possuem algum nível de intolerância à proteína do leite de origem animal, ante 69% dos chilenos e 60% dos argentinos. Agora, o estudo “Milk and Health” (Leite e Saúde, na tradução livre), divulgado pelo ‘New England Journal of Medicine’, avalia que o aumento no consumo de leite de bovinos e outros mamíferos resulta diretamente no aumento do risco de fratura, câncer, doenças cardiovasculares, diabetes e mortalidade em geral.

Publicado no dia 12 de fevereiro de 2020, o material revela que o benefício atribuído ao leite está mais relacionado à qualidade da dieta e menos ao consumo dos produtos lácteos. Em regiões onde a qualidade da dieta e o aporte de calorias estão comprometidos, a alta densidade energética do leite pode ser particularmente favorável, mas apenas no curto prazo.

A situação é tão crítica que a Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) recomendou que qualquer leite de origem animal seja eliminado da dieta e que a necessidade diária de cálcio seja suprida por meio de fontes de cálcio de origem vegetal como os vegetais crucíferos (brócolis, couve-flor e couve), tofu, castanhas, feijões e leites vegetais fortificados com cálcio.

Entre os benefícios apontados pelos pesquisadores, evitar o consumo de produtos lácteos melhora a saúde óssea, a pressão arterial e diminui o aparecimento de doenças como obesidade, problemas cardiovasculares, diabetes, câncer, além de evitar o surgimento de alergias e intolerâncias.

Sobre este último aspecto, o estudo ‘Milk and Health’ leite de vaca revela que o leite de vaca causa alergia em cerca de 4% das crianças e está associado ao agravamento de Asma na infância. A intolerância à lactose tem alta prevalência na população em geral e é subdiagnosticada. O consumo de lactose por intolerantes, além dos sintomas gastrintestinais, gera deficiência de macro e micronutrientes e impacto negativo na flora intestinal.

Por estes motivos, oestudo da Mordor Intelligence citado no início deste artigo calcula que o crescimento das doenças alérgicas e de intolerância à proteína dos leites de origem animal deve impulsionar em mais de 5% a demanda no mercado sul-americano dos leites e derivados vegetais, nos próximos cinco anos. A receita estimada para esse tipo de mercado é de US$ 600 milhões em 2020. O número é cerca de US$ 150 milhões maior que o valor movimento em 2018.

Essa nova demanda tem sido impulsionada pela transformação alimentar sem precedentes da população, cada vez mais consciente em relação à saúde pessoal, às causas ambientais e ao cuidado com os animais. No Reino Unido, por exemplo, a tradicional rede de supermercados britânicaSainsburys calcula que o movimento atinge cerca de 70% da população mundial. Como resultado, o estudo da Sainsburys prevê que ao menos um quarto da população britânica será vegetariana e metade ‘flexitariana’, em 2025.

A grande verdade é que está cada vez mais difícil associar a dieta vegetal com ativismo e ideologia. Os dados e as pesquisas oferecem o respaldo técnico. A oportunidade para novos negócios é cada vez mais evidente.

 

Referência bibliográfica

Willet WC, Ludwig DS, Milk and Health. N Engl J Med 2020;382:644-54

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