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19/12/2015

#PorcosdoRodoanel: Animais sobreviventes de carreta tombada viram embaixadores do vegetarianismo

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Centenas de ativistas souberam da notícia e se dirigiram ao local, para garantir que os animais não sofreriam ainda mais ­ e para negociar um resgate. Era uma chance de salvar 110 animais inocentes, sujeitos às típicas condições desumanas do processo de criação e abate, que tinham destino certo no matadouro.

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Após muitas horas de negociação e de tentativas atrapalhadas da concessionária CCR de desvirar a carreta com tratores, gerando novas quedas da carreta e mais feridas e mortes, os ativistas conseguiram negociar a liberação dos animais para o Santuário Terra dos Bichos, nos arredores de São Paulo, que generosamente se dispôs a receber os animais. As ferragens da carreta começaram a ser cortadas e os animais, muito feridos e alguns já mortos, foram sendo retirados.

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O Resgate

Toda a equipe do escritório da SVB em São Paulo se mobilizou e foi para os locais incluindo para o matadouro que seria o destino dos animais, para evitar que fossem encaminhados para a matança.

Foram horas intensas de espera e angústia até todos os animais serem retirados do local. Muitas horas, também, de trabalho desafiador para descarregar os animais no santuário, acomodá­los, dar água (muitos desidratados), medicar e lidar com a morte de vários deles. Muitos voluntários, independentes e de diversas organizações, incluindo médicos veterinários, participaram da recepção e primeiros atendimentos dos animais.

porcos resgate

46 das 110 fêmeas não resistiram 

Das 110 porcas envolvidas no acidente, todas fêmeas reprodutoras que já haviam passado por intensa exploração e maus­tratos ao longo de toda a sua vida (passando por sucessivas inseminações artificiais e gestações, confinadas nas minúsculas celas de gestação e tendo seus filhotes separados à força precocemente), 46 fêmeas não resistiram: morreram no próprio acidente, no transporte para o santuário, ou no próprio santuário após chegarem e não resistirem às feridas e fraturas expostas.

 

Mais 22 animais salvos -­ de dentro do matadouro

Também entre as 110, um primeiro caminhão com 22 porcas retiradas das ferragens foi levado para o matadouro Rajá (ao lado da estação de trem Carapicuíba), chegando lá antes de qualquer ativista bloquear o portão do matadouro e antes do acordo de entrega dos animais para ativistas.

Esta informação somente ficou clara posteriormente, e então iniciou­se uma nova negociação com os responsáveis pelo matadouro, para que liberassem os outros 22 animais. A SVB, o Santuário e as demais organizações e ativistas envolvidos estavam determinados a não permitir que nem um animal a menos fosse entregue aos protetores para ter uma vida digna após tanto sofrimento.

Os ativistas foram em peso para a porta do matadouro em Carapicuíba/SP e deixaram claro que somente sairiam com 22 porcos, vivos e bem ­ mesmo que não fossem exatamente os mesmos do acidente.

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Por volta das 18h20, após horas de negociação, o matadouro liberou uma pequena carreta com os 22 animais, após avaliação por médica veterinária do movimento. Com a entrada destes animais, o Santuário Terra dos Bichos passou a abrigar 64 porcos desta ocasião, além dos cinco porcos que já viviam lá.

Estes porcos são encarados pelos ativistas como embaixadores dos milhões de animais que são mortos (após passar por um transporte torturante) todos os dias desnecessariamente, em nome do paladar e da sustentação de uma cultura que desrespeita os seus direitos mais básicos destes seres que são tão sensíveis e sencientes quanto os cães e gatos que temos em casa.

 

Adoção das porcas

A intenção do Santuário Terra dos Bichos (que já abrigava antes centenas de outros animais de várias espécies), desde o início, foi de servir apenas como lar temporário para as porcas. Porém, infelizmente, apesar dos esforços de divulgação, até o momento da redação desta matéria, das 64 porcas sobreviventes do acidente do Rodoanel, apenas sete haviam sido adotadas.

cartaz adocao porcos

Se você puder adotar uma ou mais – ou conhece alguém que pode -, entre em contato diretamente pela página do santuário (www.facebook.com/santuarioterradosbichos). Lembramos que os adotantes estão sujeitos a triagem e que são pré-requisitos: ser vegetariano; e ter um espaço razoável para que o animal não fique em situação inadequada de confinamento.

A “Vaquinha”

Na ocasião do tombamento da carreta e simultaneamente ao resgate, foi arrecadado na campanha da “Vakinha” lançada pelo portal Vista-se (e gerenciada em parceria com a SVB) o valor total de R$ 281.152,55.

Atendendo às solicitações do Vista-se, do Santuário e de outras organizações e ativistas envolvidos, a SVB submeteu sua documentação de organização sem fins lucrativos para que os recursos pudessem ser liberados.

O valor das taxas aplicadas pelo portal Vakinha.com.br (R$0,50 por operação + 6,4% das doações, a despeito das tentativas de negociação para redução de taxas em prol dos animais) totalizou R$ 16.449,98, resultando na liberação de um valor líquido total de R$ 264.702,57 para saque. Outras doações menores, feitas por fora da plataforma Vakinha, elevaram a arrecadação total para R$ 265.862,57.

 

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Embora o valor total arrecadado parecesse muito alto, devido à grande complexidade de infraestrutura e demanda por alimentos e outros recursos gerados por estes animais, já haviam sido comprometidos até o dia 20 de dezembro de 2015 um total de mais de R$ 200 mil – uma parte significativa referente à infraestrutura (construção de recintos e de um poço artesiano para hidratar os animais).

Todas as despesas estão devidamente discriminadas na planilha pública de contabilidade das porcas, disponível publicamente para acesso por qualquer pessoa: CLIQUE AQUI

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Cintia Frattini, proprietária do santuário, disse estar bastante preocupada – preocupação compartilhada pela SVB – de que, não havendo mais dinheiro, as porcas comecem a passar necessidades. “Pouquíssimos animais foram adotados, e eu não sei como vamos conseguir manter estes animais no médio e longo prazo”.

 

Onde tudo começa

A SVB e parceiros entendem que tudo o que aconteceu é apenas um acidente de percurso que faz parte de uma lógica sistêmica de exploração, desrespeito e coisificação dos animais. Em suma, tudo isso ocorre porque as pessoas comem carne, gerando demanda por toda essa indústria do sofrimento.

O transporte torturante e até mesmo os eventuais acidentes e tombamentos de carretas são consequências naturais e inevitáveis do consumo de carnes e outros produtos de origem animal, que impulsiona toda essa cadeia – desde a castração sem anestésicos de leitões, o corte de dentes, a separação forçada das mães, o confinamento intensivo das porcas reprodutoras, passando pelo transporte e indo até a impiedosa matança, escondida dentro dos matadouros.

porca no santuario 

“Se os matadouros tivessem paredes de vidro, seríamos todos vegetarianos”, disse certa vez Paul McCartney. Pois bem: as #PorcasDoRodoanel nos deram uma janela de vidro, através da qual podemos ver tudo o que está por trás do aparentemente inofensivo hábito de comer carne. A boa notícia é que, tornando-se vegetarianos, qualquer um de nós pode apertar o botão de “parar” nesta engrenagem de sofrimento.

 

Assista a alguns vídeos (15 segundos cada) que ilustram como as porcas estão vivendo no santuário:

– Veja vídeo de porca banhando-se na lama, no Santuário Terra dos Bichos

– Veja vídeo de porquinho resgatado mergulhando na água do seu bebedouro

– Assim como cães, os porcos abanam o rabo para demonstrar satisfação. Assista.

 

 

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