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05/07/2026
Sociedade Vegetariana aprova moção por ambientes alimentares saudáveis e sustentáveis
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Proposta apresentada durante a 1ª Conferência Nacional dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável defende mudanças na alimentação oferecida em escolas, hospitais e cozinhas solidárias como estratégia para promover saúde, segurança alimentar e enfrentamento da crise climática.
A Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) aprovou uma moção durante a 1ª Conferência Nacional dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), organizada pelo Governo Federal, propondo a criação da Política Nacional de Ambientes Alimentares Saudáveis e Sustentáveis em Instituições Públicas. A iniciativa busca orientar a oferta de alimentos em espaços como escolas, hospitais e cozinhas solidárias, integrando ações de promoção da saúde, segurança alimentar, fortalecimento da agricultura sustentável e enfrentamento das mudanças climáticas.
A proposta parte do entendimento de que o Brasil enfrenta desafios simultâneos relacionados às mudanças climáticas, à insegurança alimentar, ao crescimento das doenças crônicas associadas à alimentação inadequada e às desigualdades no acesso a alimentos saudáveis.
Os sistemas alimentares respondem por aproximadamente um terço das emissões globais de gases de efeito estufa. De acordo com dados do Observatório do Clima (2023), no Brasil, representam 73,7% das emissões brutas nacionais, tornando a transformação da produção, aquisição e consumo de alimentos uma das estratégias para reduzir os impactos ambientais.
Ao mesmo tempo, levantamento do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (2025) aponta que cerca de 25 milhões de brasileiros vivem em desertos alimentares e outros 15 milhões em pântanos alimentares, regiões onde o acesso a alimentos frescos é limitado e predominam produtos ultraprocessados. O cenário está associado ao aumento da insegurança alimentar e da incidência de doenças crônicas.
Outro dado citado na moção é o estudo da FABLE – The Food, Agriculture, Biodiversity, Land-Use, and Energy Consortium (2024), que estima em aproximadamente US$ 500 bilhões de custos ocultos por ano dos sistemas alimentares brasileiros, o equivalente a 16% do Produto Interno Bruto (PIB), representando impactos ambientais, sociais e na saúde pública. Segundo o levantamento, cerca de US$ 80 bilhões anuais poderiam ser evitados com a adoção de sistemas alimentares mais saudáveis e sustentáveis.
“A alimentação precisa ocupar um lugar estratégico nas políticas públicas. Quando o Estado promove ambientes alimentares saudáveis, amplia o acesso da população a alimentos de qualidade, fortalece cadeias locais e a agricultura familiar, reduz impactos ambientais e contribui para prevenir doenças. Essa é uma agenda que reúne saúde, sustentabilidade e justiça social”, afirma Mônica Buava, presidente da Sociedade Vegetariana Brasileira.
A moção propõe que a futura política nacional contemple medidas como a priorização de alimentos in natura e minimamente processados nas instituições públicas, com valorização de preparações à base de vegetais, da sociobiodiversidade brasileira, da agricultura familiar, priorizando frutas, verduras, legumes, leguminosas e Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs), além da restrição da oferta de alimentos ultraprocessados.
Entre as propostas também estão a implementação permanente de programas de educação alimentar e nutricional integrados à educação ambiental; o incentivo à criação e manutenção de hortas comunitárias, escolares e urbanas, incluindo iniciativas de agricultura vertical; o fortalecimento de feiras livres, cooperativas e pequenos produtores por meio do poder de compra do Estado; e a integração dessas ações às políticas nacionais de promoção da saúde, segurança alimentar, desenvolvimento territorial, mitigação das mudanças climáticas e implementação da Agenda 2030.
Para a SVB, as instituições públicas possuem papel estratégico na transformação dos sistemas alimentares, utilizando sua capacidade de compra para estimular economias locais, ampliar o acesso a alimentos saudáveis e contribuir para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
VALLE DA MÍDIA – ASSESSORIA DE IMPRENSA
Christian Valle
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